De quatro

Quando ele a penetrou por trás, ela perguntou: — Em quem você vai votar? Ficou aturdido por alguns segundos, sem saber em qual cintura colocar as mãos: na própria ou na dela? — Que pergunta é essa? — resmungou, contrariado. — Isso lá é hora de falar sobre as eleições? …

Um site obsceno

Quando a mulher repentinamente entrou na sala, o marido, num acesso de pânico, bateu a tampa do laptop com tanta força que o frágil fecho de plástico chegou a quebrar-se e cair ao chão. — O que você tava vendo aí? — perguntou, desconfiada. — Nada não, meu bem. É …

A menina branca

Já as postagens sobre bichos — ah! — essas causavam grande impacto e comoção. Edgar chegava a se perguntar se seus amigos viam o sofrimento humano como algo merecido — como uma espécie de castigo inexorável por comermos salaminhos inofensivos e mortadelas indefesas — ou se, pelo contrário, esses mesmos amigos — pressupondo que todos os humanos são animais — já incluíam automaticamente nesses protestos a indignação pelo assassinato de tantos de nossos semelhantes.

Sobre ebooks e caipiras

Todo mundo se revolta ao descobrir que o autor de um livro impresso ganha apenas 10% do preço de capa — mas nem assim compra um ebook do desgraçado! ¿E por que isso seria bom para o autor? Ora, porque, na Amazon, por exemplo, eu ganho de 30 a 70% …

O pecado favorito

— Você já assistiu ao filme “O Advogado do Diabo”? — Aquele com o Al Pacino? — Esse mesmo. — Já vi. Por quê? — Lembra qual a declaração final do Diabo? — Claro: “A vaidade é definitivamente o meu pecado favorito”. — Pois é, acho que o pecado favorito …

Cotas, cocotas e sem cotas

— O senhor é negro. É anão… — Sim. — É cadeirante. — Isso. — É gay? — Sim. E mulher. — Como? — Mudança de sexo. — Ah, ok. Interessante isso. — Pois é. — Bom, pelo acúmulo de cotas… já é juiz federal! Nem precisa prestar o concurso. …

Se beber…

— Ah, não! Uma blitz!! Anda, filho, troca de lugar comigo, rápido! — Mas, pai, eu… — Vamos logo! Quer ver seu pai na cadeia, é? Não viu que eu bebi uma taça de vinho na casa da sua avó? — Mas… — Não tem mais nem menos! Vai, se …

Mensagem do leitor David Bezerra

Yuri, varei a madrugada lendo as tuas crônicas. “O Marceneiro e o Poeta”, “O Rolex e o Celular” e, sobretudo, “A Bacante da Boca do Lixo” são memoráveis. Esta última me fez compreender as palavras do Prof. Olavo [de Carvalho] acerca da função da arte literária, isto é, proporcionar ao …