O machista feminista

Tempos atrás participei de um encontro literário na Casa Mário de Andrade, em São Paulo, onde, ao longo de uma semana, debati com outros autores as perspectivas da literatura brasileira neste novo milênio. Foi lá que, entre outros, conheci pessoalmente Elisa Andrade Buzzo, Luis Eduardo Matta, Miguel Sanches Neto, André …

Ex-namoradas e desarmamento civil

  "Ei, sua ex-namorada tá morando no mesmo prédio que eu." "Ah, é?" "É. E continua muito gata, a gente sempre se encontra no elevador." "Sei." Silêncio. "Que cara é essa?" "Minha cara, uê." "Tá com ciúme, é? Pensei que você é que tinha terminado com ela." "E foi mesmo." …

O amigo do escritor

  "E aí? Leu o livro que lhe dediquei?" "Ué, você me dedicou um livro?" "Puts, quantas vezes terei de repetir que dediquei? Umas mil, setecentas e vinte e três vezes? Caralho, e olha que já faz dois anos que o publiquei!" "Cadê o livro?" "Na loja, claro. No site. …

Precisa-se de empregada feia. Bem feia.

Em 2000, na Casa do Sol, ficamos alguns meses em apuros ou, como dizíamos, no mato com oitenta cachorros mas sem nenhuma empregada doméstica. Não me lembro exatamente por que Hilda Hilst havia demitido a anterior, mas, salvo engano, creio que tinha algo a ver com a qualidade do café …

Homem também tem pêlo

Em Junho de 1999, quando eu já morava na Casa do Sol havia quase nove meses, a atriz e diretora Bete Coelho e a figurinista e cenógrafa Daniela Thomas foram visitar Hilda Hilst. Ambas participavam do projeto de adaptação para teatro do livro O Caderno Rosa de Lori Lamby, cuja …

Outro “causo” do Bruno Tolentino

Às vezes me vêm à lembrança algumas conversas marcantes que tive com o poeta Bruno Tolentino. Ele tinha o costume de pilheriar no tom mais sério e, caso o interlocutor não percebesse o humor clandestino, seguia em frente, como se nada tivesse acontecido. Sempre com a ironia mais fina, inglesa. …

O pecado favorito

— Você já assistiu ao filme “O Advogado do Diabo”? — Aquele com o Al Pacino? — Esse mesmo. — Já vi. Por quê? — Lembra qual a declaração final do Diabo? — Claro: “A vaidade é definitivamente o meu pecado favorito”. — Pois é, acho que o pecado favorito …

O Marceneiro e o Poeta

Bruno Tolentino… Naquela ocasião, eu ainda não o conhecia muito bem, mas chegaria a conhecê-lo melhor nos nove meses seguintes, tempo que ele moraria ali conosco: uma figura simplesmente extraordinária, com uma trajetória de vida de arrepiar os cabelos.

Libertários, estatistas, Friends, Jivago e Islã

Considero o Estado um tipo de gesso sobre o esqueleto fraturado da sociedade. Por quê? Ora, o que torna as relações viáveis numa sociedade é a confiança mútua entre os humanos. Presentemente ainda há ruptura, não há nexo pleno entre os indivíduos, somos quase todos, em graus diversos, estranhos um ao outro – muitas vezes dentro da própria família – daí a desconfiança geral.

Sobre o aborto e a jaca

Na minha singela opinião, a questão da lei sobre o aborto, no fundo no fundo, é tão somente uma questão de crença e de honestidade intelectual. E me refiro não apenas à crença dos religiosos que o combatem, mas também à daqueles que acreditam completamente, que têm plena fé, de que a vida não é senão um amontoado, dos mais complexos, de reações físico-químicas.

No podemos tener amigos!

O Paulo Paiva, que esteve em Cuba com nossa amiga comum Andréa Leão, é que deveria contar essa história. Mas já que ele está enrolando – e tem mil outras cubanidades para narrar – vou contar ao menos essa, que muito me marcou.