De olho em todos

O site Discover the Networks é uma excelente iniciativa. Pessoas (isto é, eleitores) que “não sabem quem é de esquerda e quem é de direita” — e que não tem tempo para estudar política a fundo — deveriam, através de sites assim, vir a saber o nome dos “bois”, das “fazendas” e dos “fazendeiros”. Algum militante esquerdista honesto — onde quer que esteja escondido — deveria criar um site semelhante, dando os nomes e as conexões entre os militantes, ativistas, financiadores, teóricos e políticos de direita. Mas sem essa ingenuidade de colocar Adolf Hitler e David Horowitz no mesmo saco, na mesma categoria, isto é, considerá-los igualmente como exemplares da “extrema-direita”. Dá até para rir. Você, internauta, consegue imaginar o judeu Horowitz vestido de suástica e queimando judeus? Acho que ele só faz isso — queima um judeu — quando se bronzeia ao sol, se é que o faz. No mais, ele afirma:

Real human flesh and blood had been sacrificed on the altar of utopian ideals. A collusive silence had followed.
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Carne e sangue humanos reais têm sido sacrificados no altar dos ideais utópicos. Um silêncio conjuratório os tem seguido.

Enquanto não pousar na Terra um Avatar que seja nosso rei-filósofo, continuarei um, digamos, mais ou menos libertarian, isto é, alguém que não curte nem um pouquinho as safadezas do Estado, seja este de esquerda, seja de direita. E como a ausência de Estado é ainda pior — grande parte das pessoas não perceberam ainda que ser humano é um tanto diferente de ser apenas um animal — defenderei sempre a existência do regime menos ruim, a democracia liberal. (Até a chegada do Avatar, claro.) No mais, sejamos conservadores, isto é, conservemos nossos valores e nossas tradições testadas pelo tempo.

Patrulha ideológica é, sim, o monitoramento às ocultas, por parte de certos ativistas e militantes, para posterior perseguição, eliminação ou ostracismo do inimigo. (Fase esta que pode ou não ocorrer às claras.) O Discover the Networks não prega nada disso, senão que se esforça para dizer a quem quiser saber — é um site aberto — quem faz parte da esquerda e em que nível de envolvimento. Não tacha indiscriminadamente a todos os esquerdistas de “extrema-esquerda”. Há gradações ali. Tampouco é o banco de dados da CIA, que é fechado, secreto. É um instrumento que até pode ser usado para patrulhamento. Mas todo instrumento é, por definição, como a faca: pode ser usado para cortar o pão ou matar o irmão. Apenas a arrogância de certos utopistas e ideólogos estatistas descrê do livre-arbítrio e da possibilidade de os indivíduos serem capazes de bem governar a si mesmos. Há acidentes? Desvios? Há — eis o mundo, eis a realidade.

Como já disse, deveria haver outros sites como este, monitorando não só a esquerda mas também a direita, os corruptos, sim, os ambientalistas, sim, os industriais poluidores e assim por diante. Ou o cidadão monitora essa gente ou essa gente, uma vez no poder, não apenas ficará de olho nele, cidadão, mas também o foderá. Viva, enfim, a livre circulação da informação.

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