Soneto do Desmemoriado

Quantas vezes censurou-me a memória: «Diz o já dito! Do novo se esquece! «Datas? Nomes? Tudo aí se arrefece! «Meus esforços? Pra você são escória!» Que pena não ser bem mais esquecido! Quisera eu já não tê-la em minha mente! Pernas, olhos, voz, mãos — a boca quente! Quisera não …

A arte da palavra

Dói-me tanto não ser poeta! Tão triste é Não ter dos meus versos o domínio Permanecendo à mercê de tão duras impressões Sem a clara expressão que as cure Dos labirintos do raciocínio! Se ao menos fosse rico Ou se tivesse de beleza a cara cheia Talvez não me entregasse …

Um outro atalho

Desde o despertar da autoconsciência — Lá na infância, em algum canto da escola Talvez no escorregador, após o pão com mortadela — Venho aguardando da minha vida o início. Aos trancos e barrancos, como se diz É que vejo passar o tempo Sem que nada, no entanto, mude A …

Soneto Ouija ou Soneto pro Pê Paiva

Este é um soneto que me vi obrigado a escrever, em 1995, após enganar dois amigos, por mais de duas horas, com a tal brincadeira do copo. Um deles, cético de carteirinha, ficou p da vida por ter acreditado em espíritos por um breve intervalo de tempo. (Mentira, na verdade …