Go home? Yes! Yes!!

11/11/2005
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Nessa última semana assisti a dois filmes de guerra desses que nos deixam em pânico juntamente com os soldados: Black Hawk Down, do Ridley Scott, e… sim, American Soldiers, de Sidney J. Furie. É óbvio que Ridley Scott deixa Mister Furie no chinelo, mas não é este o ponto que me chamou a atenção. O primeiro filme trata de uma missão na Somália durante a qual cai um — e depois mais um — helicóptero americano. O segundo mostra um grupo rastreador de minas terrestres no Iraque durante esta última guerra. (É foda ser americano. A confa lá nem acabou e os caras já escreveram o roteiro, aprovaram e rodaram o filme. Power!! Power!!) Pois é, nos filmes a que costumava assistir com meu pai quando criança — Os canhões de Navarone, A raposa do mar, A Batalha britânica, O Expresso de Von Ryan, etc. — testemunhávamos heróicos soldados levando a cabo, cheios de honra e valor, suas complicadas e perigosas missões. Às vezes o objetivo era um só — fugir — como em Fugindo do inferno, mas isso não porque estavam loucos para voltar para casa (coisa de frescos), senão porque queriam voltar a combater o inimigo. Mas veio a guerra do Vietnã e… todo mundo já sabe o resto. O Horror! O Horror!

Hoje, nos filmes, principalmente nos dois desta semana, a única missão que parece valer à pena, para os soldados, é obedecer aos brados anti-americanos de Go home! Go home! e… sair correndo para casa. (Ninguém mais quer saber da Carta ao Ocidente do Soljenitsin, aquela onde ele descreve vítimas de totalitarismo esperando em vão a chegada da salvadora cavalaria americana.) Os filmes de Ridley Scott e de Sidney J. Furie só começam depois que suas respectivas missões falham e os soldados, metidos na maior das enrascadas, precisam escapar de seus inimigos: missão lado B — Go home!

“Americans, go home!!” e lá vai tiro.

“We’re trying!! we’re trying!!”, parecem responder os gringos — e sebo nas canelas.

A idéia é boa porque, além de criar uma situação na qual aflora o caráter de cada personagem, qualquer um poderá se identificar com aqueles homens desesperados, até mesmo um membro da Al Qaeda ou um guerrilheiro somali. Sim, porque no final das contas, na tela, a humanidade do inimigo desaparece e só vemos verdadeiros ogros (orcs, se preferir) tentando liquidar com os pobres sujeitos (gente como a gente), os quais obviamente — são americanos — matam muito mais. Para um membro da Al Qaeda, por exemplo, não há humanidade num norte-americano, logo… podem identificar-se também com os soldados norte-americanos do filme! E, cara, que meda… que nóia… A morte — ou pior, a imensa dor de perder um braço, uma perna, um olho — à espreita a cada segundo. Às vezes tenho a sensação de que o campo de batalha é um dos únicos lugares reais deste planeta. Infelizmente. Porque ali as pessoas desabrocham. Como no Amor…

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O Autor

Yuri Vieira é escritor e cineasta. Saiba mais.

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