A Nova Ordem Mundial: conspiração ou paranóia?

26/11/2002
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Quem é que já viu a piada – publicada numa antiga revista Mad -, que mostra um garoto sendo ridicularizado pela população de uma pacata cidade do interior, simplesmente porque tentava alertá-los sobre a chegada de um horrendo monstro alienígena? Todos rindo e o monstrão lá, oculto pela floresta, babando e preparando-se para entrar em cena. A legenda dizia: “por que será que em todo filme americano só se acredita no mocinho quando já é tarde demais?” Situação semelhante viveu Charles Chaplin, de quem fizeram a caveira logo que iniciou “O Grande Ditador” – filme idealizado antes da guerra, mas lançado em 1940 -, no qual satiriza Hitler e Mussolini. Ameaças esses dois?!, diziam os críticos, que bobagem, pura paranóia! Hoje, porém, Chaplin além de gênio da comédia é também considerado um clarividente. Pois bem, dizem – o próprio ex-Presidente George Bush já disse (1990), aliás, como se tratasse de um cãozinho – que há um possível monstro logo ali atrás do mato, a bocarra aberta, doido pra nos engolir: a Nova Ordem Mundial (NOM).

Não é nenhum segredo o fato de a “Vontade de Poder” ser uma das características mais arraigadas do ser humano. Em termos políticos, ela se resume no “impulso imperialista”, expressado, no correr da história, por uma série de personagens: César, Alexandre, Carlos Magno, Napoleão, Hitler, Stálin… Há sempre alguém, ou um grupo, tentando controlar a tudo e a todos – algo do tipo Pink & Cérebro, só que de modo mais complexo e menos engraçado. Muita gente acreditaria sinceramente que a bola da vez são os Estados Unidos da América, mas, na verdade, eles são é a primeira vítima. Sim, o objetivo da NOM é a implantação de um Governo Mundial e, para isso, o poderio bélico norte-americano faz o papel de “culpado-útil”: servem a “certos grupos” – ocultos por trás da ONU, de certas ONGs mundialistas, de riquíssimas corporações e de setores exclusivos da franco-maçonaria -, e ainda ficam com a culpa. Se a princípio os EUA foram uma nação não-intervencionista, hoje – contra todas as intenções republicanas tradicionais – o país já não quer ser “apenas” um exemplo de democracia e liberdade: quer impô-las à força, o que é um contra-senso, já que ninguém pode obrigar ninguém a ser livre. Daí, para o prazer dos “conspiradores”, assiste-se ao crescente ódio contra a nação que já foi a maior defensora dos direitos civis e das liberdades individuais de toda a história. De exemplo mor de civilização, os EUA tornam-se cada dia mais – e contra a vontade de seu povo – o cão de guarda da NOM.

Basicamente, a NOM é a substituição da autoridade de todas as tradições espirituais – ou seja, daquelas doutrinas que crêem na existência de um Ser Supremo – pelo poder do Estado. Para alguns, é o famoso “Anticristo”. Ora, se não se acredita que há um Deus onisciente e onipresente por trás do caos aparente da realidade, logo se conclui que algo – que esteja acima de todos, que seja infalível e perene – precisa controlar a coisa toda ou não escaparemos da entropia: esse algo é o Estado. E sua retórica é mesmo sedutora como o diabo: paz mundial, segurança, prosperidade, moeda única, renda mínima e, pasme, paternidade estatal! (Leia aqui as propostas da NOM.) Logo, a violência já não é mais vista como um ato contra o Amor, mas como uma falha do sistema educacional ou, o que é pior, como uma doença sem cura. Quando o Estado passa a arbitrar por sobre todas as Religiões, ele se coloca acima de Deus e, assim, acima de toda transcendência e de qualquer autoconsciência humana, já que, se não temos nada de eterno em nós, não somos confiáveis senão com uma câmera do Governo sobre nossas cabeças. A NOM é o Big Brother mundial que se aproxima, é como uma União Soviética Global com sua conversa de “Pão e Paz”, mesmo quando apoiada por certas multinacionais mercantilistas. Pois, para essa “paz” e “segurança”, precisaremos de mais polícia e espionagem (como o ECHELON, que ouvirá todas as suas ligações de celular e copiará todos os seus emails); para termos moeda única e renda mínima, precisaremos de um Estado engolindo qualquer iniciativa privada, a única responsável por toda prosperidade; para sermos filhos do Estado, dizem os mais paranóicos, precisaremos ter sua marca em nossa pele: a tatuagem com código de barras ou um chip subcutâneo, duas das possíveis “Marcas da besta”. Bom, é óbvio que, na verdade, a marca da besta não é senão um traço interior dos fomentadores dessa nova ordem: a anti-espiritualidade, a completa falta de visão transcendente da Vida.

Se você for pesquisar, verá que o Governo Mundial é um desejo antigo, não se resume à globalização da economia, que, aliás, é até certo ponto legítima. Muitas sociedades secretas o estimularam, como os lendários Illuminati. Há, por exemplo, um livro que descreve passo a passo todas as etapas dessa conspiração, um livro que – graças a uma falsificação maldosa – atribui essa “vontade de poder” ao povo judeu: Os Protocolos dos Sábios do Sião. Trata-se, na verdade, de um texto descrevendo uma conspiração do inferno para tomar o poder a Napoleão III – descrita originalmente no livro “Diálogos no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu”, de Maurice Joly (1864)-, posteriormente alterado por um espião do Czar Nicolau II para iniciar uma perseguição aos judeus russos. O próprio Hitler – marionete e experimento de sociedades secretas – também o usou com esse intuito. Mas o livro – escrito no século XIX – é extremamente atual, demonstrando tudo o que deve ser feito em relação à economia, imprensa, opinião pública, educação, ecumenismo, reformas sociais, etc., para que o Governo Mundial seja implantado. E o que ele mostra é o mesmo que vemos nas notícias da TV: está tudo acontecendo! Dizer que o livro é totalmente falso apenas porque acusa insidiosamente aos judeus é, na minha opinião, jogar fora o bebê com a água suja da banheira. E por que afinal o Governo Mundial é assim tão ruim? Ora, precisamos perceber que só pode haver “um” quando há o “Outro”, só há “meu” ego porque há “seu” ego, um país se há outro país, pois é no aprendizado dos nossos limites que descobrimos quem somos: onde eu termino, você começa. Tais distinções se baseiam numa intuição direta, não numa abstração. Portanto, enquanto não tivermos um governo de outro planeta batendo às nossas portas, não será senão um ato de loucura criar um governo mundial: será o fim de toda individualidade, de todo pluralismo, em nome de um totalitarismo fundamentado num “Outro” ideal e ilusório: o nosso medo do caos.

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Arquivado sob: Crônicas

  • Bom artigo, amigo.
    Estamos presenciando os passos, cada vez mais descarados, da formação deste “Novo Ordem Mundial”. A hora é tarde para impedir a tragédia que nos aguarda. Para confirmar e aprender mais sobre isso tem, por exemplo, o livro “Hitler Ganhou a Guerra” por Walter Grazianno traduzido de espanhol para o portuguese. Para aqueles que leêm ingles, tem “Tragedy and Hope” por professor Carrol Quigley e “Fire in the Minds of Men” por un homem que foi curator da instituição Smithsonian na EUA.

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O Autor

Yuri Vieira é escritor e cineasta. Saiba mais.

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