Penteu, o Pentelho

29/03/1997
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Penteu foi criado num ambiente que moldou seu caráter de forma definitiva. Seus pais foram orgulhosos membros do conselho da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, chegando a promover abaixo-assinados contra o divórcio e o aborto, e a apoiar o governo militar ativamente. Graças a isto, seu pai, funcionário público de carreira, conseguiu promover-se e transferir-se com a família do Rio para Brasília.

Em meados dos anos oitenta, seu pai faleceu e Penteu, juntamente com a mãe, foi viver na casa do avô materno, Cadmo, residente no Lago Norte. Foi o início de um grande conflito. O avô era demasiado liberal em suas idéias, indulgente em suas relações e excêntrico em suas atitudes. Tendo sido professor de urbanismo no Departamento de Arquitetura da UnB por mais de 20 anos, Cadmo pôde cultivar um grande número de amigos e admiradores. Todos “suspeitos” na opinião do neto, pois para este o avô não passava de um vagabundo que outrora adotara eufemismos românticos — tais como beatnik e hippie — e que fizera proselitismo entre a corja pateticamente subversiva. O fato de o avô ser hoje um arquiteto respeitado era — segundo Penteu — além de puro acaso, o único ponto de contato que aquele tinha com a realidade. Cadmo não se importava com as opiniões do neto. Eram apenas opiniões. E quando se aposentou, manteve suas estreitas relações com Tirésias, professor de história, famigerado rebelde e companheiro nos difíceis anos da ditadura militar. Tirésias ficara cego após ter sido preso e torturado em 1974, no Rio de Janeiro. Felizmente isto não o impediu de continuar ministrando aulas. Como Borges, aquilo o deixara mais sábio.

Para maior angústia de Penteu, sua natureza colocou-o no mesmo trajeto profissional do avô. Bom no desenho, relativamente criativo e metódico em suas idéias, Penteu ingressou no curso de arquitetura e urbanismo da UnB. Sem embargo, sua fama no curso corria no sentido oposto à fama granjeada pelo avô, quando este ali esteve. Penteu ainda era calouro quando ingressou na diretoria do centro acadêmico. Angariou a antipatia e o desprezo de todos os colegas quando criou a Urna Anti-Marola. Nela deveriam ser colocadas denúncias contra os maconheiros do departamento. No único dia de vigência da urna, todas as cédulas recolhidas apontavam um único contraventor: o próprio Penteu. Magoado, ele passou a defender com ainda mais convicção os ideais de seu falecido pai e tornou-se um ferrenho opositor de toda atividade condenável dentro do departamento. Quando vazou a história de que ele havia sido iniciado sexualmente — com a conivência do próprio pai — por uma prostituta, recebeu a alcunha de “Ana, o Anacrônico”. Também tornou-se conhecido como “TFP” e “Médici”. Como ele insistisse em reagir violentamente a todos estes apodos, tornou-se conhecido definitivamente como Penteu, o Pentelho. Seu avô apenas ouvia suas queixas e reclamações, para depois sorrir e sacudir a cabeça compassivo. Penteu saia enfurecido e batia a porta atrás de si.

“Papai, não o provoque!”, condoía-se Ágave, mãe de Penteu.

“Mas eu… Ora!”, sorria Cadmo.

Como evitasse maiores contatos com seus colegas, Penteu só se inteirou da festa da Arquitetura pela boca de seu avô.

“Quem lhe disse que vai rolar festa?”, perguntou.

“Foi o Tirésias. Vai me dizer que tu não sabia? Ô rapaz, tu precisava de melhorar tua vida social… Arranjar namorada…”

“Olha, vô, minha vida social só interessa a mim”, começou irritado. “E esse seu amigo não está velho demais pra ir em festa de estudantes?”

“Velho?! O espírito dele é 300 anos mais jovem que o teu. Sabia que foi ele quem deu a idéia da festa? Vai se chamar ‘A Grande Dionisíaca’.”

Penteu indignou-se:

“Baco, Brômio, Dioniso são todos a mesma palhaçada e idiotice. Bacanal, carnaval é tudo a mesma merda, a mesma alegria patética, a mesma fuga desvairada; é música baiana, pagode, rock’n roll comercial, música eletrônica inexpressiva. Será que o senhor não vê a decadência em que vivemos? Não vê que estamos morrendo rapidamente e ninguém se importa? É tão cego quanto seu amigo? Não existe êxtase dionisíaco, o que existe é estase da cultura e do bom senso. Não entro nesse seu papo pódi-crê. O sonho já acabou há muito tempo, meu avô!”

“Tudo bem! Tu fica em casa com teu sono sem sonhos de sempre, que eu vou dar um pulinho na festa pra conversar com o Tirésias. Falou?”

“Vai lá, seu velho gagá. Sempre achei que foi a sua geração quem começou com a merda toda. Um bando de cérebros derretidos. Uns depravados!”

Cadmo sorriu:

“Até mais!”, disse; e partiu no seu Maverick branco.

Já passava da uma da madrugada quando Ágave veio chamar o filho. Queria que Penteu fosse atrás do avô. Aquilo não era hora de um homem idoso estar na rua. Embora xingasse mentalmente o avô, obedeceu sua mãe sem dizer palavra. Infelizmente teria que suportar todos os cretinos da universidade e de Brasília, que sempre acorriam às tumultuosas festas da Arquitetura. Essa, seu avô ficaria lhe devendo.

À entrada da festa, Penteu confirmou seus receios. O Distrito Federal inteiro parecia estar ali. Comprou sua entrada, foi revistado por um segurança trajado à grega, recebeu sua coroa de falsos louros e entrou. Ato seguido retirou a coroa e atirou-a ao chão. Toda a enorme parte térrea do ateliê, com seu alto pé-direito, estava tomada por bacantes que dançavam ao som do tradicional rock’n roll. No mezanino estava o DJ. Ao fundo as bebidas. Abrindo caminho por entre as pessoas tentava encontrar o avô. Encontrava apenas motivos para aumentar seu mau humor. Teve uma idéia. O pessoal do bar poderia informá-lo, certamente não havia tantos velhos naquele lugar. Cutucou então uma garota que pescava uma lata de cerveja num tonel de gelo.

“Peraí!”, disse ela sem se virar. Não havendo outra barmaid menos ocupada, Penteu aguardou-a resignado. Quando ela voltou-se, uma eletricidade extática percorreu o corpo dele. Ela o olhou direto nos olhos e ele sentiu uma vertigem enorme. Segurou-se para não cair no abismo daquele olhar.

“O que você vai querer?”, perguntou ela com expressivo interesse.

“É… eu…”

“O quê?”

Penteu respirou fundo:

“Será que você não viu dois velhos juntos aqui nessa festa? Um deles é cego.”

“Ah, claro que vi; é o Tirésias e o seu Cadmo. Uns puta figuras…”

“Puta figuras”, pensou Penteu. “Minha nossa!”

“Você sabe me dizer onde eles estão?”, tornou ele.

“Acho que tão no inferno.”

“Como é que é?!”

“No Reino de Hades, ouvindo trance, house, trip hop…. Peraí que eu te levo lá.”

“Não precisa, eu…”

“Fê, já terminei meu turno; fica no meu lugar, falou? Vou ali com o Penteu.”

Ela o conhecia… E era linda. Seus olhos eram claros, sua pele o tantalizava, sua voz… sua voz…

“Vem, cara”, disse ela, puxando-o pela mão. “Vamos pro inferno!”

Agora ele estava realmente em conflito. Ela era uma verdadeira ninfa, o sonho que ele nunca tivera e que não poderia alimentar. Mas ela tinha um piercing no umbigo, uma tatuagem acima do seio, falava “puta figuras” e provavelmente não deveria saber quem fora Dioniso e o que era o Reino de Hades. Não passava de uma menina frívola. O que poderia encontrar nela? Já não bastava a decadência que ele próprio levava consigo?

Desceram umas escadas. A temperatura aumentou, muito vapor de gelo seco. Um som eletrônico que atrapalhava o pensamento. Era o inferno. E ela não largava sua mão.

Depois de procurar aqui e ali, Penteu percebeu que seria impossível encontrar o avô. Aturdido com o som, com as luzes frenéticas e com o fluxo imperfeito dos pensamentos, decidiu voltar para casa. A garota tentou demovê-lo da decisão, mas foi inútil.

Que carinha metido a difícil!, pensou ela; e ele partiu sem olhá-la, caso contrário, não o teria conseguido. Ele precisava afastar seu sangue amargo do amor alheio.

Uma vez no estacionamento, Penteu, no escuro, tentava meter a chave na porta do carro. De repente alguém tocou-lhe o ombro. Ele virou-se, pensando em Cadmo. Mas não era o avô. Um rapaz de cabelos longos, sem camisa, trajando apenas um saiote, encarava-o com olhos impertinentes. Trazia uma brilhante coroa de louros e sua pele parecia iluminada.

“O que é que foi, cara?”, perguntou Penteu. “É assalto ou você quer carona?”

O outro deu uma risada sonora. Penteu impacientou-se:

“Olha aqui, meu amigo, não tenho tempo pra conversar com viado histérico” e deu as costas, voltando à tentativa de abrir a porta.

“Você não vai conseguir abrir seu carro. Eu entupi as fechaduras com terra, meu caro.”

“Você o quê?!”, fez Penteu virando-se.

“Você não pode ir agora…”

“Que história é essa, seu filho da puta?”

“Não levante a mão pra mim, seu travado!”

“Se você não der um jeito nisto aqui, lhe quebro a cara!”, ameaçou Penteu.

“Segurem-no!!”, esbravejou o dono da coroa de louros e, imediatamente, não se sabe de onde, surgiram seres andróginos seminus que agarraram o estudante.

“Agora podemos continuar”, prosseguiu o líder do bando. “Você é um sujeito bastante irascível, sabia? Se continuar assim, você vai se foder. Aliás, você já se fodeu. Eu, Dioniso, vou estuprá-lo neste instante.”

Apavorado, Penteu começou a gritar por socorro.

“Inútil, meu caro, ninguém vai ouvi-lo. Preste atenção…” e, tirando o saiote, deixou-se ver: ao redor e sobre os genitais, Dioniso trazia alguns pequenos cachos de uva. Com um sorriso sarcástico e cúpido retirou uma uva. “Pare de gritar, imbecil!”, continuou. “Não vou curra-lo, não tenho estômago para tanto. Além disso, você sabe que não seria nada bom para mim… Portanto, farei muito pior: violentarei sua alma!” e abaixando-se, aproximou a uva da boca de Penteu.

“Me larguem, seus viciados! senão vocês vão ver uma coisa!”

“Ai! Chega, Penteu. Parece criança… Você não imagina o quanto é patético e ridículo.”

Penteu assombrou-se:

“Como você sabe meu nome?”

“Eu sei de muitas coisas. Sei por exemplo que você vai mastigar e engolir esta uva. Não irá embora pois estará tão louco que certamente baterá o carro ou, se chegar em casa, violentará a própria mãe. Isto não seria terrível? hem?”, e sorriu. “Não, não há nenhuma droga aqui da qual você já tenha ouvido falar. É apenas uma de minhas uvas, e dependendo de você, com ela poderá conhecer o inferno ou o paraíso” e, dizendo isto, meteu-lhe a uva na boca, fazendo-o engoli-la à força. “Podem soltá-lo”, continuou Dioniso, enquanto Penteu, em vão, tentava regurgitar a uva. “Agora, meu caro, as portas do seu carro já estão abertas. Se quiser, poderá partir. Neste caso, que os deuses tenham piedade da sua alma. Mas se ficar, volte para a festa, você precisará de alguém. Talvez você saiba de quem…”

“Você pensa que me assusta com sua performance, não é?”, disse Penteu entrando no carro. “Dioniso é um mito, um conto de fadas, meu chapa. Ninguém me engana com essa comédia.”

Dioniso sorriu:

“Vamos dizer que uma possível mas limitadíssima analogia para mito, hoje, seria por exemplo… deixe-me ver…”, e fechou os olhos meditabundo; “sim”, disse abrindo-os, “pense em transmissões radiofônicas onde cada deus teria uma freqüência específica, onde a natureza seria a totalidade dos rádios e os humanos seus ouvintes. Se você quiser realmente me conhecer sem esse ranço erudito, sem esse bolor de conhecimento livresco, entre na minha onda, capte a minha freqüência! Sou tão vital para sua vida quanto o sexo para a reprodução humana natural. Não tenha uma vida de proveta…”, e dando-lhe as costas: “Boa viagem!”

“Espera aí, cara!”, gritou Penteu. “Eu posso lhe reconhecer em qualquer lugar! Se isto for uma droga ou veneno…”

Dioniso deu uma gargalhada demente:

“Tá com medo, não é? Relaxa, meu caro, a morte e a loucura estão tão próximas de você quanto de qualquer outra pessoa… Estão coladas à sua pele!”

Penteu não conseguiu ver onde os comparsas de Dioniso haviam se metido. E quando voltou-se para este, também não o encontrou. Olhou nos espelhos retrovisores, não viu ninguém. Que brincadeira de mau gosto era aquela? Certamente seria armação da turminha da arquitetura. Era preciso sair rápido dali.

“Então você vai mesmo embora?”

Penteu quase descomeu o coração de tanto susto. Era Tirésias que estava sentado ao seu lado.

“Tirésias, cadê meu avô?”

“Não importa o paradeiro de Cadmo. Importa perceber o quanto somos similarmente cegos. Você enxerga apenas o exterior, eu enxergo meu interior. Eu já não tenho esperança de ver as coisas externas, mas você ainda pode ver-se a si próprio…”

“Ah, não, Tirésias! Não vem com esoterismo pra cima de mim. Será que você anda lendo auto-ajuda em braile?”

Mas antes que Tirésias dissesse outra coisa, Penteu o viu transformar-se pouco a pouco na poltrona do seu carro. Fora apenas uma alucinação. Assustado, Penteu saltou rapidamente para fora do veículo. O pensamento girava a mil, conclusões emendavam-se com os silogismos iniciais, todo problema era uma serpente mordendo a própria cauda. O asfalto parecia liqüefazer-se querendo tragá-lo, a respiração era difícil. Sentindo a morte iminente, encostou-se no carro, fechou os olhos, jogou a cabeça para trás. Respirar fundo, assim, calma… Tentava sem sucesso levantar a cabeça. Calma… Quando abriu os olhos ficou maravilhado. Apesar da lua cheia – terrivelmente luminosa! – via nitidamente todas as estrelas do firmamento. Não apenas via os pontos de luz isolados, mas via-os unidos por linhas brilhantes formando inúmeros desenhos, tal como num planetário. E as imagens eram vivas. Reconheceu as constelações zodiacais visíveis. Viu Órion, Sírio e o Cruzeiro do Sul, do qual escorria uma lágrima-estrela. Toda essa visão o tranqüilizou e Penteu sentiu-se serenamente sólido. Lembrou-se dos olhos azuis da garota. Lembrou-se do crucifixo com uma lágrima que ela tinha tatuado junto ao seio. Lembrou-se que não sabia seu nome. Assim, quase involuntariamente, voltou caminhando na direção da festa por entre as árvores do estacionamento, por sob suas folhas verde-fosforescentes. Parecia flutuar.

Já deveria ser tarde, pois as portas da festa haviam sido liberadas. Contudo, ainda havia muita, muita gente. Penteu olhava para aquelas pessoas e as via sem máscaras. Alguns infelizes, arrimados às paredes, pareciam estátuas trincadas e ocas, de olhar vago. Outros pareciam sátiros, feios diabos à caça de ninfetas. Alguns casais pareciam devorar um a carne do outro. Pareciam ter em mente apenas a própria fome. Mulheres assemelhavam-se a vampiros, sanguessugas. Outras a verdadeiras deusas e ninfas. Penteu via tudo isto literalmente. Via mortos caminhando, anjos e demônios dançando. Viu um homem alto e magro com um vírus preso numa coleira. Sim, seu vírus era amestrado. Aquilo fez Penteu rir. Encontrava as coisas mais absurdas sem dar-se conta disto. Só não encontrava quem queria. No inferno não conseguia distinguir o rosto das pessoas. Pelo jeito, perdera sua chance. Antes porém que pudesse maquinar no tema, aquele som eletrônico invadiu seu cérebro, roubando o espaço de qualquer pensamento. Apesar do forte som que ainda ouvia, sem os pensamentos ouviu também um potente silêncio. Começou a dançar e sentiu que parar seria morrer.

Minutos depois, enquanto ainda dançava, alguém tocou seu braço:

“Tava perdido?”, perguntou a garota.

Penteu parou:

“Não, eu tava por aí”, disse sem esconder a satisfação.

“Então, oi!”, tornou ela, puxando-o pela mão.

“Oi!”, respondeu ele.

Ela começou a dançar abraçando-se a ele, que sorriu:

“Como assim você já tá me abraçando?”

Ela arregalou os olhos mostrando suas pupilas dilatadas:

“Por quê? Não posso?”

“E se você engarranchar o piercing do seu umbigo no zíper da minha braguilha?”

“A gente vai embora assim, coladinhos…”

Penteu perdeu-se dentro daqueles olhos e o toque pele-à-pele o extasiava. Beijaram-se repetidamente. Dançaram com o som fluindo por seus corpos como eletricidade. Descobriu o nome dela: Tália. Seria realmente uma das Graças? Claro que era, sentia ele.

“Sabe que eu não sei por que estou com você?”, perguntou ela. “Primeiro foge de mim, depois fala umas bobagens… Só faltou babar!”

“Mistério…”, replicou Penteu.

“Hmm, quase me esqueço. O Tirésias e o seu Cadmo apareceram e já foram embora. Você não me disse que o Cadmo era seu avô. Foi engraçado que quando eu contei que você estava aqui ele não acreditou. Aí o Tirésias disse: ‘Tá sim, eu o vi…'”, e Tália riu. Penteu ficou pensativo. Também já não estava tão cego.

Depois saíram andando sob a luz crepuscular pelo Instituto Central de Ciências. Numa sala de aula vazia, na penumbra, despiram-se lentamente. Seus poros beijavam o corpo um do outro. Penteu ficou repentinamente sombrio.

“O que foi?”, perguntou Tália apreensiva.

Ele não sabia como explicar-se. Dizer o quê, que tinha sangue amargo? Que seu amor podia matar? Não, sem eufemismos.

“Eu não tenho camisinha…”, disse ele. “Eu tenho”, disse ela pegando a bolsa.

Ele abaixou-se e contou-lhe no ouvido a verdade. Ela ficou séria. Encarou-o:

“Eu tenho camisinha”, repetiu com olhos brilhantes.

Penteu abraçou-a forte e, deitando-a na mesa, sugou-a como se seus líquidos fossem matar sua sede. E ali, viveram felizes para sempre. E esse para sempre foi intermitente por dois anos, ao fim dos quais, encerrou-se definitivamente aquele relacionamento. Como muitas vezes ainda terminaria também a paciência de Penteu com o avô e a vida. Mas ele compreendia melhor suas vicissitudes e, assim, quando faleceu cinco anos mais tarde, em decorrência da aids adquirida de uma prostituta em sua primeira relação sexual, já conhecia bem a morte. Tália levou a cruz tatuada até a sepultura dele. Suas lágrimas e seu sangue ainda eram doces.

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(Conto extraído do livro A Tragicomédia Acadêmica – Contos Imediatos do Terceiro Grau.) 

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O Autor

Yuri Vieira é escritor e cineasta. Saiba mais.

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