Um site obsceno

Quando a mulher repentinamente entrou na sala, o marido, num acesso de pânico, bateu a tampa do laptop com tanta força que o frágil fecho de plástico chegou a quebrar-se e cair ao chão. — O que você tava vendo aí? — perguntou, desconfiada. — Nada não, meu bem. É …

Sobre ebooks e caipiras

Todo mundo se revolta ao descobrir que o autor de um livro impresso ganha apenas 10% do preço de capa — mas nem assim compra um ebook do desgraçado! ¿E por que isso seria bom para o autor? Ora, porque, na Amazon, por exemplo, eu ganho de 30 a 70% …

Nosso homem em Curitiba

O agente G. Greene segue o grupo até um bar de Curitiba e senta-se numa mesa próxima. Percebendo que a reunião poderá ocorrer ali mesmo, entra em contato com Langley, a sede da CIA, mediante um excelente software utilizado por todos os espiões do mundo: o WhatsApp. — Controle, segui …

Homem também tem pêlo

Em Junho de 1999, quando eu já morava na Casa do Sol havia quase nove meses, a atriz e diretora Bete Coelho e a figurinista e cenógrafa Daniela Thomas foram visitar Hilda Hilst. Ambas participavam do projeto de adaptação para teatro do livro O Caderno Rosa de Lori Lamby, cuja …

Um papo estranho

  "Meus velhos amigos estão no Facebook, mas nunca conversam comigo." "Os meus tampouco, na verdade, nem respondem minhas mensagens diretas." "Os meus respondem no máximo com um ‘sim’, um ‘não’ ou um ‘talvez’." "Por que será?" "Ah, deve ser por causa de política ou de religião. Com o tempo …

De quatro

Quando ele a penetrou por trás, ela perguntou: — Em quem você vai votar? Ficou aturdido por alguns segundos, sem saber em qual cintura colocar as mãos: na própria ou na dela? — Que pergunta é essa? — resmungou, contrariado. — Isso lá é hora de falar sobre as eleições? …

Tá maluca?

A mulher fritava os bifes enquanto o marido folheava uma revista: — Roberto, você não acha que a gente já pode pintar a casa no mês que vem? — Pintar a casa? Tá maluca? A gente não vai pintar casa nenhuma. — Ué, e por que não? A gente já …

Doutor Pinto Grande e o pedinte do metrô

— O senhor está me dizendo que já não acredita em Deus tanto quanto aquele blogueiro não crê na existência da internet. Mas, dentro Dele, de Deus (e não do blogueiro), nós nos movemos, pensamos, respiramos, vivemos e morremos. Percebe? É dentro da internet que o blog “vive” e “morre”.