A droga do xamã Credo Mutwa

22/12/2003
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Credo Mutwa

Durante os cinco anos que morei em Brasília, ouvi malucos discorrendo a respeito de todas as drogas alternativas possíveis e imagináveis: chá de fita magnética (K7, VHS), chá de lírio (delírio), colírio ciclopégico, anestésico de cavalo (ketamina), tinner, cogumelos, lamber certa perereca da Amazônia (curare?), chá de zabumba (estramônio), sementes de certa ipoméia, etc. e tal. A maioria, claro, de efeitos perigosíssimos e, em certos casos, até fatais. Aliás, foi Hilda Hilst quem, anos mais tarde, me falou sobre uma das mais absurdas: nos anos 70, conheceu uma consumidora de chá de Estadão! Sim, chá de jornal, nada mais nada menos que puro chumbo (um dos componentes da tinta), um metal pesado dos mais tóxicos! Contudo, neste final de semana, ao ler o texto indicado pela Gata Lôca (Carol), finalmente encontrei a mais bizarra droga que eu jamais seria capaz de imaginar: carne de extraterrestre!!! (Carne de ET??!! Ganhou!)

Certo xamã zulu da África do Sul, em meio a mil e uma histórias mirabolantes — incluindo sua própria abdução por extraterrestres (1959) — conta sobre o dia em que um casal de amigos, também xamãs, o convidou para um ritual no qual iriam ingerir a “carne de Deus”, ou seja, a carne extraída dos corpos de extraterrestres que haviam morrido no choque de sua nave contra uma montanha. O mais louco é que, segundo consta, esse ritual não seria senão uma tradição entre os xamãs de certas tribos daquela região. Do mesmo jeito que certos malucos ficam se coçando enquanto esperam as chuvas anuais que trarão os cogús (Psilocybe cubensis), certos xamãs africanos aguardam lustros, décadas, gerações, séculos pela queda de uma nave extraterrestre. (Imagine só qual seria o preço dessa mercadoria…) E a descrição dos efeitos da ingestão dessa carne é de pirar: primeiro vêm mil e um efeitos colaterais dos mais terríveis, tais como hemorragias, erupções da pele, escamações, equizemas, urticárias, dificuldade de respiração, dores terríveis. Mais tarde, nada mais nada menos que dois meses de “viagem”! Pode? Leia a descrição feita pelo próprio Credo Mutwa, o xamã:

“E após 4 ou 5 dias os equizemas diminuíram e então a pele começou a descascar. Nossas peles começaram a descascar como a muda de pele de uma cobra. Senhor, esta foi uma das minhas mais terríveis experiências vivenciadas. Realmente, quando eu comecei a melhorar, eu concluí que minha abdução possuía ligação direta com a ingestão da carne de uma dessas criaturas. Eu não acreditava que meu amigo tinha me ofertado carne de uma criatura extraterrestre Grey. Eu pensava que isto era algum tipo de raiz ou erva ou seja lá o que fosse. Mas depois disto eu me lembrei do sabor da coisa. Tinha gosto de cobre e o mesmo tipo de cheiro que eu havia sentido quando me encontrei com as criaturas em 1959. E depois que os equizemas sumiram — enquanto estavávamos descamando éramos banhados diariamente da cabeça aos pés com óleo de côco pelos iniciados — uma estranha alteração surgiu em nós, senhor, mas peço a todos os sábios de seus países que leiam isto para tentar me explicar. Nós ficamos doidões, senhor, literalmente malucos. Nós começamos a rir como verdadeiros idiotas. Era ahahahahaha, dia após dia — e por nada começávamos a rir por horas ainda que estivéssemos cansados. E então as risadas sumiram e uma estranha coisa sucedeu, uma coisa que meu amigo disse que era o propósito daqueles que ingerem carne de Mantindane. Foi como se nós tivéssemos ingerido uma estranha substância, uma droga, uma droga como nenhuma outra conhecida na terra. E então subitamente nós nos sentimos nas alturas. Quando você bebia água, era como se você tivesse bebido algum tipo de vinho. O sabor da água tornou-se tão delicioso quanto o de uma bebida. O alimento passou a ter um gosto incrível. Todos os sentimentos tornaram-se extasiantes e indescritíveis — era como se eu estivesse com todos os corações do universo! Eu não consigo descrever isto de outra forma. E esta intensidade de sensação durou mais de dois meses. Quando eu escutava música, era como se eu ouvisse música sobre música. Quando eu pintava quadros — que é o que eu faço para viver — e quando eu estava manejando uma cor na ponta do pincel, era como se existissem outras cores naquela cor. Foi algo indescritível, senhor. Até hoje eu não consigo descrever isto.”

Fico imaginando esses ETs em pânico, dentro do disco voador descontrolado, já antevendo seu destino em meio a canibais terráqueos. Então pegam suas cápsulas de veneno — todo astronauta tem a sua, não é? — e se matam. Em seguida, vêm os xamãs e comem a carne contaminada. Como o veneno está diluído, espalhado pelo corpo, sentem apenas seus efeitos não fatais. (Bom, segundo Credo Mutwa alguns xamãs já morreram durante a “viagem”.) Aliás, não foi Hipócrates — ou um parente espiritual próximo (Paracelso?) — quem disse que a diferença entre o veneno e o remédio é a dose? Pois então.

Outra possibilidade: a nave seria movida à energia nuclear! Nesse caso, esses caras teriam se metido com algum tipo de radioatividade. Daí… Hum, se bem que o figura está vivo até hoje, sem sinais de câncer. Mistérios, mistérios.

Claro que a Gata Lôca me enviou esse link por outro motivo. Credo Mutwa é uma figura interessantíssima e tem muitos causos espantosos para contar. Fala claramente sobre os conhecimentos que alguns povos da África, principalmente os Zulus, teriam a respeito de certos conceitos físicos — tais como espaço e tempo –, sobre histórias e mitos relacionados a visitantes de outros planetas e a relação destes com a África. (Talvez fosse relevante comparar seus relatos com os dos irmãos Paz, peruanos que adquiriram, em sua suposta abdução, estranhas teorias sobre as relações da raça negra com certos grupos extraterrestres. Foram ambos entrevistados por J. J. Benítez.) Credo Mutwa acredita ainda que há uma raça alienígena hostil destruindo os povos africanos. E não aceita ser chamado de louco, pois, segundo narra, foi abduzido e praticamente torturado por alguns deles. Um certo Ernesto Bono, gaúcho, autor do livro “A Grande Conspiração Universal”, que Hilda Hilst me emprestou anos atrás, afirma que a AIDS teria sido desenvolvida por ETs “trevosos” para arrasar com os humanos. E a AIDS não somente começou na África como também a castigou mais do que qualquer outro continente. (Eu sei que esse papo é mutcho loco, mas realmente curto essas viagens pelo reino das possibilidades. Ajudam a adubar a imaginação, que é meu ganha-pão.) Enfim, se tudo isso fosse real, por que esses ETs estariam fazendo isso? Para ocupar a África? Por diversão? Experimento científico universitário? Vai saber. Pelo menos, segundo Pórtia, minha amiga ET — que aliás quase me derrubou do sofá de tanto susto ao aparecer no programa da tal Márcia Goldsmith — segundo ela, a Grande Fraternidade Branca está patrulhando a Terra desde 1986, impedindo a passagem desses “trevosos”. Então, por favor, alguém diga ao Credo Mutwa que agora ele pode dormir bem mais tranqüilo…

Fonte: “Uma rara e impressionante conversa com Rick Martin” .

Site de Credo Mutwa

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O Autor

Yuri Vieira é escritor e cineasta. Saiba mais.

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